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IDEOLOGIAS | Antissionismo é antissemitismo?

IDEOLOGIAS | Antissionismo é antissemitismo?
Créditos: eZeePics Studios | Via iStock

É comum nas manifestações contra Israel as placas de “antissionismo não é antissemitismo”, erguidas por militantes papagaios, que sequer sabem o que ambos significam, mas juram que o mantra repetido por seus professores e na imprensa de esquerda é verdade!

Abundam nas redes ataques contra a existência do Estado de Israel, aos quais se segue o argumento de que antissionismo não é antissemitismo. No entanto, será verdade? Primeiro, devemos definir os termos iniciais, ou arriscaremos falar de várias coisas diferentes, usando os mesmos nomes.

O que é semitismo e o que é sionismo?

Os semitas são os descendentes de Sem, filho de Noé. Todavia, apesar de o termo se aplicar aos judeus e árabes, devido às origens culturais comuns, o semitismo se consolidou como um conjunto de influências culturais advindas do povo judeu.

E o sionismo? À revelia da existência de movimentos ‘estranhos’ na história do sionismo, como o liderado por Lord Rothschild no começo do século XX, na Inglaterra, o termo deriva de “Sión”, palavra bíblica para designar o Reino de Israel como o povo de Deus (Isaías 60:14). O movimento sionista começa na Europa, ao final do século XVIII, e alcança notoriedade no Reino Unido, a partir da segunda metade do século XIX, defendendo o “Direito ao Retorno”, ou seja, o direito que todo judeu teria de retornar à Israel, a ter seu Lar Nacional na Terra Santa.

Logo, antissemitismo é opor-se a qualquer influência da cultura judaica, portanto, também ao convívio com o povo judeu. Em sua face mais extrema, é a negação de tudo que for de origem judaica. Portanto, sua causa comum é o ódio aos judeus, por motivações que se originam desde a inveja da prosperidade, à intolerância religiosa e ideologias ateístas.

Ora, se opor ao direito de um povo à sua pátria e autodeterminação não é se opor ao próprio povo em-si? Contudo, se pode arguir que não se deve desenvolver a tal pátria através de invasões e expulsões de outros povos de suas terras. Apesar de que a conquista e/ou expansão territorial foi o meio de estabelecimento e desenvolvimento de praticamente todos os povos, obviamente não se defende a invasão e o roubo. Todavia, seria isso que ocorreu entre Israel e Palestina?

Fluxo migratório

Dos anos 1880 até 1914, o impulso sionista gerou uma migração em massa de judeus para a região da Palestina, criando assentamentos. Logo, houve o desenvolvendo da cultura judaica, de instituições e da economia, nesses territórios. Porém, esse movimento teve uma breve interrupção com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, na Rússia, afetando os países de origem dos principais fluxos migratórios.

Foi retomada nas décadas de 1920 e 1930, principalmente dada a escalada de perseguição contra os judeus na União Soviética entre 1928 e 1933. Entretanto, sofreu nova interrupção quando o Reino Unido apertou os controles sobre a migração de judeus à Palestina, após pressão de organizações árabes sob a liderança da maior autoridade religiosa islâmica de Jerusalém, o Grand Mufti Hajj Amin al-Husayni (1895 – 1974).

Na época, o Reino Unido ficou responsável pela administração da região, após a derrota do Império Turco-Otomano da I Guerra. Esse período ficou conhecido como Mandato Britânico na Palestina.

Mandato Britânico na Palestina

A ação britânica impediu a migração de judeus em plena ascensão nazista. Muitos não acreditavam estar em real perigo e se recusaram a migrar, pois se sentiam tão alemães quanto judeus. Contudo, outros milhares tiveram suas permissões negadas. Essa atitude britânica surpreendeu a comunidade judaica, pois em 1917 o Secretário de Assuntos Estrangeiros, Arthur James Balfour, enviara uma carta ao Lord Lionel Walter Rothschild, Barão de Rothschild, para que comunicasse à Federação Sionista que o governo de Sua Majestade apoiaria a instalação do Lar Nacional Judaico na Palestina. A carta é chamada de Declaração Balfour.

Em 1941, Hajj Amim al-Husayni se encontra com Hitler e declara: “Inimigo do meu inimigo meu amigo é”. Também participou de transmissões nas rádios alemãs e ajudou os nazistas no recrutamento de muçulmanos para a Wehrmacht e a WaffenSS. Sete anos depois, foi uma das lideranças da Liga Árabe (Egito, Iraque, Síria, Jordânia, Líbano e Iêmen) que atacou Israel, após sua declaração de independência, na Primeira Guerra Árabe-Israelense.

Todas essas ações foram motivadas por ideologias impregnadas de antissemitismo. Portanto, além dos antissionistas não reconhecerem o direito dos judeus às terras que haviam adquirido, ocupado e desenvolvido, há o fato de que não aceitam sequer a existência do Estado de Israel. Por motivos baseados em… antissemitismo.

Quer mais sobre antissionismo?

Avancemos para 1967. Iuri Andropov assume o serviço secreto soviético, a KGB, com a missão principal de construir um domínio soviético no Oriente Médio e destruir Israel. Qual a base da estratégia de desinformação? Instigar o antissemitismo dos povos árabes, entretanto, sob a alcunha de antissionismo; como se ambos fossem diferentes. Ou seja, a ideia de que antissemitismo e antissionismo são ideologias diferentes é uma desinformação da KGB, patrocinada pela União Soviética, desde o final dos anos 60. Assim como todas as revoluções, como no Irã, em 1979, e no Líbano, entre 1975 e 1982, foram pensadas e executadas para levar revolucionários islâmicos ao poder e destruir Israel, sob a bandeira do antissionismo.

O recrutamento, treinamento e financiamento de agentes para organização de grupos terroristas e realização de sequestros, atentados, campanhas paramilitares, massacres etc., como a Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP), Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Fatah, Setembro Negro, Guarda Revolucionária Iraniana, Hezbollah, Hamas etc., estão no mesmo barco e usam a mesma bandeira.

Por fim, me responda, leitor: antissionismo é antissemitismo?

Referências

  • A ONG About Holocaust, constituída por uma parceria entre a UNESCO e o Congresso Judaico Mundial, informa que al-Husseini convocou 25 mil muçulmanos, em 1943. Ver “Quem foi Hajj Amin al-Hussayni” – https://aboutholocaust.org/pt/facts/quem-foi-hajj-amin-al-husayni;
  • ROBERTS, Priscila; Arab-Israeli Conflict, The Essencial Reference Guide, ABC-CLIO, First Edition, Santa Barbara, California, USA, 2014, Overview of the Arab-Israeli Conflict, XI – XXIII;
  • KAUFMAN, Uri; Eigtheen Days in October: The Yom Kippur War and How It Created the Modern Middle East, St. Martin’s Press, 2023;
  • RABINOVICH, Abraham; The Yom Kippur War: The Epic Encounter That Transformed the Middle East, Schocken Books Inc, 2005;
  • CARRÉ, Olivier “Mastigue et politique. Lecture révolutionnaire du Coran par Sayyid Qutb, Frère musulman radical, Éditions du Cerf, 1984;
  • VÁRIOS AUTORES; Samizdát, A Identidade Judaica na União Soviética, Federação Israelita do Estado de São Paulo, 1ª edição, São Paulo, SP, 1980;
  • VOLKOGONOV, Dmitri; Stalin, Triunfo e Tragédia, Volume II, Nova Fronteira, 1ª edição, Rio de Janeiro, RJ, 2000;
  • PACEPA, Tenente-General Ion Mihai; RYCHLAK, Prof. Ronald J.; Desinformação; Ex-chefe de espionagem revela estratégias secretas para solapar a Liberdade, atacar a Religião e promover o Terrorismo, Vide, Campinas, SP, 1ª ed., 2015, trad. de Ronald Robson;
  • BITTMAN, Ladislav; A KGB e a Desinformação Soviética: uma visão em primeira mão, Vide, 1ª edição, Campinas, SP, 2019, pág. 171, tradução de Victor Bruno;
  • The KGB Playbook for infiltrating the Middle East, by Michael Weiss, 7/11/2018 – thedailybeast.com/the-kgb-playbook-for-infiltrating-the-middle-east;
  • SAKHAROV, Vladimir N.; Planos de Paz soviéticos para o Oriente Médio, Routledge, 1ª edição, 1986;
  • GABRIEL, Brigitte; Because They Hate: A Survivor of Islamic Terror Warns America, St. Martin’s Press, 2008; e IDEM, The Must Be Stopped: Why We Must Defeat Radical Islam and How We Can Do It, St. Martin’s Press, First Edition, 2008;
  • SINGH, Subhash; Black September: A turning point in the Palestinian National Movement, International Journal of Applied Social Science, Vol. 2, May & June, , 2015, pages 135 – 145, pg. 135, Centre for West Asian Studies, School of International Studies, Jawaharlal Nehru University, New Delhi, India;
  • CARVALHO, Olavo de; Devotos de Hitler, em O Globo, 17 de agosto de 2002, citado em Olavo de Carvalho (org):  olavodecarvalho.org/devotos-de-hitler/

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